Portugal tenta descobrir quanto vale um avô

30/07/2012 | Coluna: Coisa de Velho

Há famílias que garantem poupar um salário com a ajuda dos avós na educação dos netos, um cálculo que está vem sendo feito por investigadores portugueses que querem saber quanto “vale um idoso”.

No Centro de Administração e Políticas Públicas, uma equipe de investigadores está tentando descobrir o valor econômico dos mais velhos, e espera conseguir ter resposta à questão dentro de dois anos.

Nestas contas entram “desde o trabalho doméstico, a ficar com os netos ou o trabalho desenvolvido pela população da província que nunca deixa de trabalhar”, explicou Fausto Amaro, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

“Quando um avô toma conta de um neto, a família economiza um salário. Além do bem-estar e segurança que um idoso representa, há uma vantagem económica” , sublinhou o pesquisador.

Em 2010, cerca de 274 mil crianças frequentavam o pré-escolar. De fora, estavam quase 454 mil. Nos berçários das Instituições de Solidariedade Social, as mensalidades rondam os 300 euros, sendo gratuitas para as famílias carentes. No privado, os valores podem ultrapassar os 400 euros mensais.

Muitas famílias encontram nos avós uma solução para os filhos. Joana Fonseca, 42 anos, tinha comprado casa há pouco tempo quando o Salvador nasceu.

“Na altura, se tivesse de colocar o Salvador numa creche teria de fazer uma mudança radical na minha vida. Um berçário em condições custa em média 400 euros. Como ficou em casa dos avós, poupamos essa mensalidade”, recorda a mãe, sublinhando que a opção foi vantajosa para o desenvolvimento emocional da criança.

“Os idosos não podem ser vistos como um encargo, mas como uma oportunidade”, defendeu o pesquisador, lembrando que “os mais velhos podem ser muito úteis e produtivos. Não são descartáveis”.

Para as famílias que têm crianças em escolas públicas, o problema se repete todos os anos, quando as férias se aproximam: os trabalhadores têm 22 dias de descanso e as crianças do 1º ciclo têm 102 dias.

“Os avós são o meu suporte. Quando tenho de ficar a trabalhar até mais tarde, vão buscar as miúdas à escola. E nas férias também conto com eles. Todos os obrigados do mundo nunca serão suficientes para lhes agradecer”, admite Helena Marques, mãe de duas meninas.

Segundo dados do Eurostat relativos a 2010, uma em cada quatro mulheres com mais de 50 anos deixa de trabalhar, alegando responsabilidades pessoais e familiares. Uma em cada quatro crianças diz que os avós os vão buscar na escola, revela a investigação “Relações Intergeracionais: Um estudo na área de Lisboa”, realizado no ano passado em um jardim de infância de Alenquer.

Quem não tem um “avô” por perto pode ter de recorrer às atividades de tempos livres. As escolas e autarquias têm programas, mas na maioria dos casos, não ocupam todo o período de férias. Em Lisboa, por exemplo, o município ofereceu dez dias de praia a cinco mil crianças entre os seis e os 12 anos. Terminado o programa municipal, muitas famílias tiveram de procurar atividades em instituições privadas, que rondam em média os 100 euros semanais.

Atualmente, “perante as dificuldades dos jovens, muitos pais e avós acabam por ajudar financeiramente os filhos”, sublinha o investigador do ISCSP.

É o caso de Isabel Ribeiro, 26 anos, que vive no Algarve com a sua filha. Mariana vê os avós poucas vezes, mas conta com a sua ajuda para pagar o colégio.

Para o presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, Fernando Castro, o valor do apoio dos avós “não é traduzível em euros, porque as coisas mais valiosas não tem preço”

 

Com informações do Portal Sol

Fernando Nascimento

Fernando é bacharelando em Gerontologia pena Universidade de São Paulo e Sócio Fundador do Portal Coisa de Velho

http://www.coisadevelho.com.br/

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