Elemento natural ameaçado

Elemento natural ameaçado
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28/12/2011 | Coluna: Meio Ambiente

Elemento natural ameaçado

Temos que conversar sobre algo que acontece em nosso ambiente natural, o ambiente em que nascemos e esquecemos que fazemos parte dele. Tanto é que temos que tratá-lo desta forma: “ambiente natural”. Claro, pois existe o meio ambiente urbano que criamos, onde nos organizamos socialmente com recursos estruturais que achamos necessários para termos conforto, segurança, saúde, dinheiro e outros. Só que tudo isso longe do mato, pernilongos, sapos e cobras. O que? Cobra?? Opa!! Mata!! Mata!! Isso não foi Deus quem criou!!!  Mata!!! Rsrsrsrs...

O que está acontecendo é que o elemento natural “água” está em perigo. A molécula resultante da ligação natural de uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, sim, a tão conhecida água que vem sendo utilizada e atacada sem a menor parcimônia, sem bom senso e responsabilidade de uso. Trata-se de um dos elementos naturais mais importantes do planeta, mesmo assim, não recebe a devida importância pela sociedade. O que importa é saciar nossas necessidades. Nossa sede.

Á água cobre 71% da superfície da terra, sendo que, 97% são águas oceânicas, 90% da água potável está nas calotas polares e a menor parte em rios, lagos e lagoas. 70% da água doce disponível é consumida pela agricultura, porém, boa parte dela, retorna a humanidade através dos alimentos. A água é um recurso finito que, segundo a ONU poderá faltar para 60% do planeta dentro de 20 anos.

Os causadores de impactos negativos na água são: contaminações do lençol freático por produtos químicos, coliformes fecais (fossas e esgotos clandestinos), produtos radioativos enterrados clandestinamente e outros, que poluem a água diretamente no reservatório subterrâneo, como no aqüífero Guaraní, uma preciosidade para o futuro, mas que já esta sendo poluído gradativamente.

Nessa disputa pela destruição, o desmatamento das florestas nativas também está no topo do ranking para acabar com a água do planeta, funciona da seguinte forma: a floresta detém e absorve toda água da chuva que entra no solo e abastece o lençol freático (reservatório de água subterrâneo). A cobertura vegetal não deixa a água se perder, porém quando ocorre o desmatamento  ela escoa e é quebrado o ciclo da água que está em total interação com o solo e o ar. Enfim, as conseqüências são desastrosas. A floresta conserva todos os cursos da água. As que ficam nas margens são chamadas de Mata Ciliar (de cílios). Quando não há vegetação ocorre o assoreamento que é a carreação do solo para dentro do curso d´água entupindo-o com sedimentos.

Alguns impactos são causados através de derramamentos de óleo ou qualquer produto químico/tóxico nos cursos e reservatórios de água, tais produtos são transportados por caminhões que sofrem acidentes próximos a essas águas ou de varias outras maneiras que já se tornaram corriqueiras de se ver nos telejornais.

Não vamos nos esquecer dos oceanos, que não é água de beber, mas vem sendo atacado constantemente, afetando a produção de peixes e qualquer ser vivo habitante desse meio e, o que é pior, os oceanos são responsáveis por aproximadamente 70% do oxigênio disponível na terra que é produzido pelos fitoplânctons (a biomassa desses é maior que a biomassa de toda floresta disponível) que é uma comunidade formada por microalgas que flutuam livremente na zona fótica (que tem luz, pois realizam fotossíntese) dos mares e oceanos. Portanto, a poluição da água salgada também não é um bom negócio.

Enfim, tanta informação disponível fornecida por pesquisadores científicos que ralam a vida toda para obter resultados importantes para a humanidade, de nada valem para essa sociedade moderna, que parece estar tão cega e em estado de dormência, tão deslumbrados com suas futilidades que não conseguem enxergar que caminhamos para um futuro insustentável. Será que somos tão egoístas a ponto de não pensarmos no futuro de nossos filhos e netos?? Até quando ficaremos de braços cruzados esperando que os outros, ou o Governo faça tudo??  E me desculpe o trocadilho, será que deixaremos ir tudo por água abaixo?

Otto Hartung

Formado em Gestão Pública e pós-graduado em Gestão Ambiental pela UNINTER, Otto trabalha na área de meio ambiente desde 1989 pela Fundação Florestal. Além da natureza, nutre uma paixão pela música, tocando gaita de boca, violão, guitarra e vocal.


Comentários

Avaliação dos Internautas

Ro E Otto Hartung - 29/12/2011 | 14:03 Adorei!!!

Não é modinha não, é necessidade galera; sejamos mais úteis do que fúteis. (Rô Vanni)



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