Impacto ambiental programado

17/01/2012 | Coluna: Meio Ambiente

Impacto ambiental programado

O que é impacto ambiental programado? Ganha um doce quem acertar o que é isso! Vamos lá, todos nós sabemos, é fácil. Um impacto ambiental que está programado para acontecer em uma data anualmente estabelecida no mundo, inclusive nas cidades do Litoral Sul de São Paulo? Tá vendo, não falei que era fácil?  Parabéns, é isso mesmo, a resposta certa é: Ano Novo! Nossa, quanta ironia. Desculpem, mas é um sentimento conseqüente pelo que acontece em muitas cidades litorâneas desse Brasil, um grupo no qual se encontra Peruíbe.

Mas, vamos tentar entender tudo isso? O movimento turístico é bom para os municípios e muita gente depende disso para sobreviver. Pois é,  temos que ter paciência com os veranistas que trazem dinheiro, mas também impactos negativos ao meio. Os moradores, até mesmo os que dependem desse movimento, acabam perdendo a paciência logo na primeira semana da temporada com tanta falta de respeito.

Então, vamos falar do impacto ambiental. Vamos analisar a cena da foto mais famosa da temporada 2012 da Praia dos Coqueiros (Peruíbe). O autor desconhecido merece os parabéns por registrar essa cena trágica. A foto já está rolando pelo Facebook com muitos protestos dos moradores.  Tem um conteúdo didático, ou seja, apresenta  elementos que são como ferramentas para o aprendizado da população, é só questão de interpretação. Vejam a quantidade de latinhas, garrafas, plásticos, embalagens diversas, isopor,  enfim, tudo que possamos imaginar estava naquela sopa.

Vamos começar entendendo que o ecossistema que mais interage com os outros ambientes é o aquático, pois conduz para outros ambientes tudo aquilo que bóia. O vento também interage, espalha e arrasta tudo que está sobre o solo, carregando o lixo para os mares, oceanos e cursos dágua, certo? Na foto, a gente percebe que há uma grande quantidade de lixo por metro quadrado e o que é pior, estamos vendo somente uma parcela da praia, imagine a praia toda.

Sabemos que a Prefeitura de Peruíbe dispõe de um trator com rastelão e caminhões que promovem a limpeza da praia bem cedinho, mas percebam na foto que a maré já esta bem alta e boa parte desse lixo vai entrar na corrente marítima antes da coleta chegar e irá se espalhar pelos mares, oceanos, praias, rios e manguezais.

É comum encontrar lixo, levado pela maré, nas praias desertas da Juréia, pois naquela região só entram pesquisadores científicos. Isso também acontece nos manguezais que recebem uma boa quantidade de plásticos e outros detritos. Os manguezais são berçários naturais e responsáveis pela produção de peixe. O biólogo Thiago do Aquário de Peruíbe já fez vários relatos à população sobre tartarugas que morrem sufocadas por plásticos que são confundidos com algas marinhas.

Quem já ouviu falar na “ The Pacific Ocean Plastic Soup”? Muito simples, é uma sopa de plástico moído que flutua no Oceano Pacífico e está crescendo espantosamente, já cobrindo uma área de duas vezes o tamanho dos Estados Unido. O lixo está sendo concentrado nesta área devido ao movimento circular das correntes marítimas. Não é uma coisa de dar “orgulho” na gente? Não vamos esquecer que todos contribuem para essa sopa, tudo pela preguiça de jogar o lixo no local, certo? Nossa, é inacreditável! Verdade. Então, como resolver toda essa lambança?

A educação ambiental é uma ferramenta utilizada para mudança de atitude e comportamento dos seres humanos. Os meios de comunicação social estão sempre dando prioridade para os assuntos que não são prioridade: sempre as banalidades estão em primeiro lugar e em grande quantidade. Não se assiste nenhum programa sério de educação ambiental na TV que tenha uma metodologia de ensino, só sensacionalismo. Não existe nada que ensine como as pessoas devem se comportar em ambientes naturais e até mesmo nas zonas urbanas.  Não tem limite de idade para se ter educação, todos podem ter, ou será que o povo Brasileiro só entende quando rola uma multa?.

Notamos que, nesse ano, a quantidade de lixeiras era mínima por toda a cidade de Peruíbe. Quem sabe, com mais recipientes de coleta, o lixo não teria diminuído? Isso pode sair a custo zero para uma Prefeitura através de parcerias, sabiam? Mas isso é só um detalhe, pois o importante mesmo seria que as pessoas adotassem uma conduta consciente, assim não seria necessário nem as lixeiras.

Pois é, mas não devemos desanimar diante de tanta barbaridade, pelo contrario, temos que protestar e procurar desenvolver ações junto ao poder público para ajudar a mudar esse quadro, através de organizações com representação jurídica, seja por meio de ONG´s ou associações que agreguem pessoas com o mesmo objetivo. Participe! Faça sua parte. Mas, faça fazendo e não falando que faz. Risos. Só não participem de ONG´s que só estão preocupadas em criticar o poder público e fazer manobras políticas para se dar bem, pois na prática não fazem nada. E atenção: esse tipo de  entidade não pode ter fins lucrativos! Fiquem atentos e sejam atuantes nessa luta pela conservação da nossa casa.

Um abraço a todos e até o Carnaval.


Tags: peruíbe, praia, ano novo, sujeira, lixo, mar

Otto Hartung

Formado em Gestão Pública e pós-graduado em Gestão Ambiental pela UNINTER, Otto trabalha na área de meio ambiente desde 1989 pela Fundação Florestal. Além da natureza, nutre uma paixão pela música, tocando gaita de boca, violão, guitarra e vocal.


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